Dr. Marcos da Cunha Sales Filho
CRM-MG 82080
Medicina Metabólica · Emagrecimento · Hormonal
Avaliação Clínica Integrada
Início de tratamento · 01.06.2026
Robert Edgar da Cruz Moraes
36 anos · DN 20/06/1989 · 180 cm · 105,3 kg (IMC 32,5)
Laboratório 04/05/2026 · Densitometria e composição corporal 18–25/05/2026
Síntese da Avaliação
Os quatro achados que organizam o tratamento
LDL Colesterol
181
mg/dL · 2,6× a meta
Risco cardiovascular
HOMA-IR
5,24
2× o limite (ref. < 2,53)
Resistência insulínica
Vitamina D
12,2
ng/mL · deficiência franca
Impacto multissistêmico
Testosterona
424
ng/dL
Subótima funcional
Atenção — Risco Cardiovascular Aumentado

Robert, o exame revelou um conjunto de alterações que exige atenção e ação imediata, mesmo você se sentindo bem. A combinação que apareceu — LDL alto, HDL baixo, ApoB elevada (carga de partículas que entopem artéria) e PCR ultrassensível acima de 3 — caracteriza um quadro inflamatório-aterogênico em construção aos 36 anos.

Em linguagem clínica: dislipidemia mista com elevação de ApoB (134 mg/dL), LDL-c 181 mg/dL, HDL-c 37 mg/dL, PCR-us 3,56 mg/L e VHS 23 mm — perfil de alto risco aterogênico em paciente jovem com resistência insulínica franca (HOMA-IR 5,24). Esse cenário é o substrato fisiopatológico clássico da doença coronariana precoce.

A boa notícia: tudo isso é altamente modificável. Rim, fígado, tireoide, hemograma e próstata estão preservados. Estamos a tempo de reverter o curso, mas o tratamento precisa começar agora — não daqui a seis meses.

Perfil Lipídico & Risco Aterogênico
Prioridade Alta
ExameResultadoReferência / MetaStatus
Colesterol Total236 mg/dL< 190 mg/dLElevado
LDL Colesterol181,4 mg/dLMeta < 100 (risco intermediário)Muito elevado
HDL Colesterol37,0 mg/dL> 40 mg/dLBaixo
Triglicerídeos74,0 mg/dL< 150 mg/dLÓtimo
ApoB134,0 mg/dLMeta < 90 mg/dLCarga aterogênica
Lipoproteína (a)35,9 nmol/L< 75 nmol/LOk
VLDL17,6 mg/dLOk
Leitura clínica: a ApoB é o marcador mais preciso de risco — cada partícula aterogênica (LDL, VLDL, Lp(a)) carrega uma molécula de ApoB. Com 134 mg/dL, Robert tem carga elevada de partículas que penetram a parede arterial. O HDL baixo reduz a capacidade de remoção reversa do colesterol. Triglicerídeos baixos e Lp(a) normal são pontos a favor.
Eixo Glicêmico & Resistência Insulínica
Prioridade Alta
ExameResultadoReferênciaStatus
Glicemia jejum85 mg/dL< 100 mg/dLOk
Hemoglobina glicada (HbA1c)5,1 %< 5,7 %Ok
Insulina jejum25,0 µU/mL< 10 µU/mL (ideal)Hiperinsulinemia
HOMA-IR5,24< 2,53Resistência franca
HOMA-Beta410,7167–175Compensação
Peptídeo C3,25 ng/mL1,1–4,4 ng/mLOk
Frutosamina240 µmol/L205–285 µmol/LOk
Leitura clínica: a glicemia e a HbA1c estão normais — mas isso só porque o pâncreas está produzindo o dobro de insulina para manter a glicose sob controle (HOMA-Beta 410 vs. referência 175). Esse é o estágio que precede o pré-diabetes: o pâncreas trabalha em sobrecarga há tempos. A hiperinsulinemia crônica é, isoladamente, um fator que estimula deposição de gordura visceral, dislipidemia e inflamação — exatamente o que estamos vendo.
Eixo Hormonal Masculino
Atenção
ExameResultadoReferência / Faixa FuncionalStatus
Testosterona Total424 ng/dLLab: 280–800 · Funcional: 600–900Subótima
Testosterona Livre10,63 ng/dL5,71–17,85 ng/dLOk
Testosterona Biodisponível249,05 ng/dL125,75–412,44 ng/dLOk
SHBG26,2 nmol/L18,3–54,1 nmol/LOk
LH5,0 mUI/mL1,7–8,6 mUI/mLOk
FSH3,21 mUI/mL1,5–12,4 mUI/mLOk
Estradiol23,7 pg/mL11,3–43,0 pg/mLOk
DHT230 pg/mL143–842 pg/mLOk
SDHEA78,7 µg/dL88,9–427 µg/dL (limite inferior)Limítrofe
Prolactina6,4 ng/mL4,0–15,2 ng/mLOk
Cortisol matinal10,2 µg/dL4,8–19,5 µg/dLOk
Leitura clínica: LH e FSH preservados, sem hipogonadismo primário. A testosterona total de 424 ng/dL em homem de 36 anos é compatível com hipogonadismo funcional secundário à resistência insulínica e inflamação sistêmica — o tecido adiposo visceral converte testosterona em estradiol e suprime o eixo. A conduta inicial é tratar a causa, não suplementar hormônio: com correção metabólica, perda de peso e reposição de vitamina D, é esperado que a testosterona suba sozinha para a faixa funcional ideal nos próximos 3–6 meses.
Vitaminas, Minerais & Inflamação
Atenção
ExameResultadoReferência / Faixa FuncionalStatus
25-OH Vitamina D12,2 ng/mLLab: 20–60 · Funcional: 50–80Deficiência
Vitamina B12762 pg/mLFuncional > 490 pg/mLÓtimo
Ácido fólico8,9 ng/mL3,89–20 ng/mLOk
Vitamina A0,4 mg/L0,3–0,7 mg/L (limite inferior)Limítrofe
Vitamina C0,5 mg/dL0,2–2,1 mg/dLOk
Zinco83,8 µg/dL60–120 µg/dLOk
Selênio70,3 µg/L40–160 µg/LOk
Magnésio2,0 mg/dL1,6–2,3 mg/dLOk
Homocisteína9,8 µmol/L6–16 µmol/LOk
PCR ultrassensível3,56 mg/L< 1,0 mg/L (risco baixo)Risco alto
VHS23 mm< 15 mmElevada
Ferritina227 ng/mL30–400 ng/mLOk*
Leitura clínica: vitamina D em 12 ng/mL é deficiência franca com impacto direto sobre imunidade, metabolismo da insulina, eixo hormonal masculino e saúde óssea. PCR-us 3,56 com VHS 23 confirmam inflamação sistêmica crônica de baixo grau — característica do tecido adiposo visceral metabolicamente ativo. *Ferritina dentro da faixa, mas pode estar elevada como reagente de fase aguda (inflamação) — reavaliaremos após controle metabólico.
Função Renal, Hepática, Tireoide & Triagem
Preservadas
ExameResultadoReferênciaStatus
Creatinina0,98 mg/dL0,66–1,25 mg/dLOk
TFG estimada (CKD-EPI)102 mL/min> 60Ótima
Ureia30 mg/dL19–43 mg/dLOk
Ácido úrico5,5 mg/dL3,5–8,5 mg/dLOk
Albuminúria2,57 mg/g< 20 mg/gOk
TGO / TGP36 / 30 U/L< 50 U/LOk
Gama-GT26 U/L15–73 U/LOk
Fosfatase alcalina109 U/L38–126 U/LOk
TSH1,46 µUI/mLFuncional < 2,0Ótimo
T4 livre / T3 livre0,91 / 2,85DentroOk
T3 reverso0,49 ng/mL0,18–0,60 ng/mLOk
Anti-TPO / Anti-Tg10,9 / 19NegativosOk
PSA total / livre / relação0,855 / 0,180 / 21%< 1,4 ng/mL · >20%Ok
HemogramaEquilibradoHb 13,3 · Leuco 5070Ok
Sorologias (HIV, sífilis, hep B/C/A)Não reagentesAnti-HBs 344 (vacinado)Ok
Composição Corporal — Densitometria (DEXA)
Linha de base · 25/05/2026
Gordura corporal
33,1
% · 33,5 kg
Elevada
Gordura visceral
1,4
kg · área 172 cm²
Metabólica
Massa magra
67,8
kg · preservada
A proteger
Relação A/G
1,27
androide 42,4%
Padrão central
ParâmetroResultadoLeitura
IMC32,5 kg/m²Obesidade grau I (OMS)
Massa gorda total33,5 kg (33,1%)Alvo do tratamento
Massa magra total67,8 kgBoa reserva muscular
Conteúdo mineral ósseo3,4 kg
Tecido adiposo visceral1,4 kg · 1.519 cm³Gordura que dirige a inflamação
Tecido adiposo subcutâneo2,3 kg
Índice muscular (RSMI)10,46 kg/m²Bem acima do limite de sarcopenia
Taxa metabólica repouso (RMR)1.818 cal/diaBase para o plano nutricional
Leitura clínica: a fotografia de partida confirma o que os exames já apontavam. A relação androide/ginoide de 1,27 e a gordura visceral mostram um padrão de gordura central, metabolicamente ativa — exatamente o tecido que sustenta a resistência insulínica (HOMA-IR 5,24), a inflamação (PCR 3,56) e a queda funcional da testosterona. Sua massa magra está ótima (RSMI 10,46), o que é uma vantagem importante: o objetivo do tratamento é perder gordura — sobretudo a visceral — preservando o músculo. É isso que a tirzepatida, somada à proteína adequada e ao treino de força, faz de melhor.
Saúde Óssea — Densitometria
Atenção pontual
RegiãoBMDZ-scoreClassificação
Corpo total1,384 g/cm²-0,2Normal
Coluna lombar (L1–L4)1,166 g/cm²-2,0Baixa massa p/ idade
Colo do fêmur1,368 g/cm²+1,0Normal
Fêmur total1,210 g/cm²-0,5Normal
Leitura clínica: o esqueleto, no geral, está normal (corpo total, fêmur e colo do fêmur). O único ponto que pede atenção é a coluna lombar, com Z-score de -2,0 (baixa massa óssea para a faixa etária) — achado coerente com a deficiência franca de vitamina D (12 ng/mL), que prejudica a mineralização. Como a perda de peso rápida pode reduzir densidade óssea, esse achado torna três medidas obrigatórias durante o tratamento: reposição de vitamina D (já prescrita), proteína adequada na dieta e treino de força — o que você já faz e vai ampliar para 3×/semana. Recontrole da densitometria em ~12 meses, no mesmo equipamento.
Por que iniciamos o Mounjaro (tirzepatida) hoje
Tratamento iniciado em 1º de junho de 2026 · primeira dose

Robert, hoje damos o primeiro passo do tratamento. Quero ser direto: os exames não só não trazem nenhuma contraindicação como reforçam a indicação clínica do Mounjaro. O quadro que você apresenta é exatamente o cenário em que a tirzepatida produz os melhores resultados.

Os critérios clínicos que sustentam a indicação:

Segurança confirmada pelos exames:

Em linguagem técnica: paciente sem contraindicações absolutas ou relativas à tirzepatida — função renal, hepática, pancreática e tireoidiana preservadas. Indicação ampliada pelo perfil de síndrome metabólica subclínica com risco cardiovascular intermediário-alto e hipogonadismo funcional secundário. Iniciamos hoje, 01/06/2026, com a primeira dose na fase de titulação progressiva, conforme protocolo padrão.

Plano Terapêutico
Próximos passos organizados por prioridade
  1. Mounjaro (tirzepatida) — iniciado hoje, 01/06/2026. Primeira dose na fase de titulação, aplicação subcutânea semanal. Orientações de técnica, conservação e manejo dos efeitos digestivos iniciais em guia separado.
  2. Ruva (rosuvastatina) 20 mg — iniciada. Tratamento da dislipidemia aterogênica. Meta de LDL < 70 mg/dL para o seu perfil de risco. Reavaliação do lipidograma e enzimas hepáticas em 8–12 semanas.
  3. Fórmula de suporte — iniciada. Cápsula diária com vitamina D 15.000 UI (corrige a deficiência de 12 ng/mL), tadalafila em dose baixa, coenzima Q10 e maca — apoio direto à energia e à libido enquanto a base metabólica é corrigida. A vitamina D também protege a coluna lombar.
  4. Proteção óssea durante a perda de peso. Diante do Z-score lombar de -2,0 e da vitamina D baixa: reposição de vitamina D + proteína adequada + treino de força (manter e progredir para 3×/semana). Recontrole da densitometria em ~12 meses.
  5. Reavaliação hormonal em 4 meses. Testosterona, SHBG e estradiol. Expectativa de subida espontânea da testosterona com a perda de peso e a correção da vitamina D; se não houver resposta, discutiremos suporte específico.
  6. Estilo de vida dirigido. Nutrição com déficit calórico moderado e redução de ultraprocessados/açúcar (você já cortou o refrigerante e reduziu o chocolate — ótimo), priorizando proteína. Plano detalhado em documento separado.
  7. Reavaliação laboratorial completa em 4 meses. Lipidograma, HOMA, HbA1c, hepatograma, perfil hormonal, vitamina D e marcadores inflamatórios.
Marco — Início do tratamento · 1º de junho de 2026
Hoje começa a fase ativa: primeira dose de tirzepatida, início da rosuvastatina e da fórmula de suporte. Todos os exames de base estão integrados neste documento — laboratório, composição corporal e densitometria. Os próximos pontos de controle são o lipidograma em 8–12 semanas e a reavaliação completa em 4 meses. O caminho está mapeado; agora é constância.